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Seguro estreia-se no 5 de Outubro com alerta para salários, habitação e saúde

O Presidente da República pediu uma nova cultura política e respostas urgentes para os problemas que pesam sobre as famílias, no primeiro discurso oficial do feriado republicano desde a chegada a Belém.

Seguro estreia-se no 5 de Outubro com alerta para salários, habitação e saúde
Various. — Public domain, Wikimedia Commons

António José Seguro escolheu o palco simbólico dos Paços do Concelho de Lisboa para fazer a sua primeira intervenção enquanto Presidente da República nas comemorações do 5 de Outubro. Perante representantes do Estado e dos partidos, o chefe de Estado defendeu uma mudança na forma de fazer política e exigiu respostas concretas para problemas que continuam a pressionar os portugueses.

Salários e habitação no centro do discurso

O Presidente apontou os baixos salários, o preço da habitação, o acesso à saúde, o valor das pensões, a alimentação e os encargos com empréstimos bancários como alguns dos principais desafios do país. A mensagem foi direta: Portugal precisa de soluções novas e de uma economia capaz de gerar riqueza suficiente para melhorar os rendimentos de quem trabalha e de quem já está reformado.

Seguro não apresentou medidas concretas nem anunciou qualquer iniciativa legislativa. O discurso teve, sobretudo, um cariz político e institucional, com um apelo à cooperação entre os diferentes partidos. O Presidente sustentou que o país não pode viver preso a confrontos permanentes e que tanto se serve Portugal a partir do Governo como da oposição.

Apelo ao compromisso no momento do Orçamento

A intervenção ocorre numa fase particularmente sensível da legislatura, com o Governo a procurar garantir a aprovação do Orçamento do Estado. Seguro saudou o Executivo e o Partido Socialista pelo caminho seguido nas negociações orçamentais e apelou à participação de outras forças políticas.

O chefe de Estado também relacionou os problemas económicos nacionais com a crise energética. Na sua leitura, a resposta aos custos da energia não pode depender apenas de decisões tomadas em Lisboa, exigindo coordenação entre os países europeus. A afirmação surge num período em que os preços dos combustíveis e da energia continuam a dominar o debate político e a preocupação das famílias.

Uma cerimónia com forte carga simbólica

A cerimónia marcou ainda a primeira presença de Seguro como Presidente da República no aniversário da Implantação da República. O momento decorreu na Praça do Município, onde António José Seguro hasteou a bandeira nacional ao som do hino, depois de ser recebido pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e pelo presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas.

Moedas aproveitou o discurso para destacar o simbolismo de 2026, ano em que se assinalam cinco décadas da Constituição, da primeira eleição presidencial e das primeiras eleições autárquicas livres. O autarca lisboeta colocou também a habitação no topo das preocupações da cidade.

O Presidente deixou ainda uma mensagem dedicada aos professores, lembrando que a escola é uma das principais ferramentas para transformar a igualdade constitucional numa realidade. A valorização dos docentes, afirmou, é inseparável da defesa da própria República.

Fontes

Imagem: Various. · Wikimedia Commons · Public domain

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