António José Seguro escolheu o palco simbólico dos Paços do Concelho de Lisboa para fazer a sua primeira intervenção enquanto Presidente da República nas comemorações do 5 de Outubro. Perante representantes do Estado e dos partidos, o chefe de Estado defendeu uma mudança na forma de fazer política e exigiu respostas concretas para problemas que continuam a pressionar os portugueses.
Salários e habitação no centro do discurso
O Presidente apontou os baixos salários, o preço da habitação, o acesso à saúde, o valor das pensões, a alimentação e os encargos com empréstimos bancários como alguns dos principais desafios do país. A mensagem foi direta: Portugal precisa de soluções novas e de uma economia capaz de gerar riqueza suficiente para melhorar os rendimentos de quem trabalha e de quem já está reformado.
Seguro não apresentou medidas concretas nem anunciou qualquer iniciativa legislativa. O discurso teve, sobretudo, um cariz político e institucional, com um apelo à cooperação entre os diferentes partidos. O Presidente sustentou que o país não pode viver preso a confrontos permanentes e que tanto se serve Portugal a partir do Governo como da oposição.
Apelo ao compromisso no momento do Orçamento
A intervenção ocorre numa fase particularmente sensível da legislatura, com o Governo a procurar garantir a aprovação do Orçamento do Estado. Seguro saudou o Executivo e o Partido Socialista pelo caminho seguido nas negociações orçamentais e apelou à participação de outras forças políticas.
O chefe de Estado também relacionou os problemas económicos nacionais com a crise energética. Na sua leitura, a resposta aos custos da energia não pode depender apenas de decisões tomadas em Lisboa, exigindo coordenação entre os países europeus. A afirmação surge num período em que os preços dos combustíveis e da energia continuam a dominar o debate político e a preocupação das famílias.
Uma cerimónia com forte carga simbólica
A cerimónia marcou ainda a primeira presença de Seguro como Presidente da República no aniversário da Implantação da República. O momento decorreu na Praça do Município, onde António José Seguro hasteou a bandeira nacional ao som do hino, depois de ser recebido pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e pelo presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas.
Moedas aproveitou o discurso para destacar o simbolismo de 2026, ano em que se assinalam cinco décadas da Constituição, da primeira eleição presidencial e das primeiras eleições autárquicas livres. O autarca lisboeta colocou também a habitação no topo das preocupações da cidade.
O Presidente deixou ainda uma mensagem dedicada aos professores, lembrando que a escola é uma das principais ferramentas para transformar a igualdade constitucional numa realidade. A valorização dos docentes, afirmou, é inseparável da defesa da própria República.
Fontes
- RTP Notícias — 5 de Outubro. Seguro contra “cultura de trincheiras” apela a soluções com “sentido de urgência” (2026-10-05)
- ECO — Seguro pede respostas para as dificuldades dos portugueses: “Portugal precisa de pagar melhores salários” (2026-10-05)
- XXV Governo Constitucional — Agenda do Primeiro-Ministro para os dias 5 e 6 de outubro de 2026 (2026-10-02)
Imagem: Various. · Wikimedia Commons · Public domain

