Portugal e os Estados Unidos vão criar uma nova plataforma de diálogo económico destinada a aproximar governos e empresas dos dois lados do Atlântico. O CEO Fórum Portugal–Estados Unidos será lançado em Lisboa, à margem da Web Summit, e terá como missão identificar oportunidades de comércio, investimento e cooperação em setores considerados estratégicos.
O anúncio foi feito a 9 de outubro de 2026 pelos Ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Economia e da Coesão Territorial. A iniciativa resulta de um compromisso assumido na 52.ª Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos, realizada em Lisboa em janeiro deste ano.
Áreas sensíveis entram na agenda
A plataforma deverá reunir representantes dos dois governos e líderes empresariais de referência. Entre as áreas apontadas estão a tecnologia e as plataformas digitais, a energia, as infraestruturas, a indústria farmacêutica, a saúde, a defesa e a indústria aeroespacial.
O setor privado terá um papel ativo na identificação de prioridades e oportunidades de negócio. A intenção anunciada pelo Governo é criar um espaço de diálogo regular entre empresas portuguesas e norte-americanas, aproveitando o conhecimento dos mercados e a experiência dos operadores económicos.
Apesar da ambição política e empresarial, o fórum não terá poderes para impor decisões. As ações produzidas no seu âmbito terão natureza de recomendação e terão de respeitar a legislação portuguesa, o direito da União Europeia, as competências regulatórias nacionais e os interesses estratégicos dos dois países.
Portugal quer atrair investimento norte-americano
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, apresentou o lançamento como um passo para aprofundar a relação económica e empresarial entre Portugal e os Estados Unidos. O governante associou a cooperação transatlântica à inovação, à competitividade e à prosperidade, sublinhando também a necessidade de manter a parceria alinhada com os valores e objetivos partilhados no quadro europeu.
Já o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, defendeu que Portugal pretende afirmar-se como uma plataforma de investimento e criação de valor entre a Europa e os Estados Unidos. A primeira edição do fórum deverá aproveitar a visibilidade internacional da Web Summit para colocar empresas portuguesas e norte-americanas à mesma mesa.
O Governo não divulgou ainda a lista completa de participantes, o calendário detalhado dos trabalhos ou metas financeiras concretas. Para já, está definido o enquadramento político: reforçar a relação económica bilateral e concentrar atenções em setores onde estão em causa investimento, tecnologia e segurança económica.
