Lisboa voltou a ser palco de um protesto de grande dimensão contra o custo de vida e a escalada da habitação. Alguns milhares de pessoas concentraram-se no sábado, 10 de outubro, no Largo do Intendente, respondendo ao apelo da plataforma “Não dá mais para viver assim”. Depois, a manifestação avançou pela avenida Almirante Reis, numa marcha marcada por cartazes contra o preço das rendas e a dificuldade de encontrar casa.
“Não dá mais” transforma indignação em marcha
A organização reúne cerca de três dezenas de coletivos ligados à habitação e às migrações e tem promovido ações em várias cidades. O protesto de Lisboa surgiu depois de iniciativas semelhantes realizadas em Aveiro, Braga e Porto, numa tentativa de levar para a rua uma insatisfação que atravessa inquilinos, jovens trabalhadores, famílias e pessoas que continuam dependentes da casa dos pais.
Entre as mensagens exibidas pelos manifestantes estiveram críticas ao custo de arrendar um apartamento em Lisboa. Muitos participantes contestaram o afastamento forçado para zonas cada vez mais distantes dos centros urbanos e denunciaram a falta de alternativas para quem não consegue acompanhar os valores pedidos no mercado.
Habitação no centro da contestação política
A manifestação acontece num momento em que a política de habitação continua sob forte pressão pública. Para os promotores, o problema não se resume ao preço das casas: envolve também salários que não acompanham as rendas, precariedade, falta de oferta acessível e dificuldades acrescidas para quem chega às grandes cidades por motivos profissionais ou familiares.
O movimento já tinha dirigido críticas ao ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, numa ação simbólica realizada em setembro. Nessa ocasião, os ativistas entregaram uma “ordem de despejo” dirigida ao governante e anunciaram a mobilização nacional de 10 de outubro.
A concentração de sábado não produziu, por si só, novas medidas governamentais. Mas deixou uma imagem política difícil de ignorar: milhares de pessoas a exigir respostas para uma crise que deixou de ser apenas uma preocupação dos sem-abrigo ou dos agregados mais vulneráveis e passou a afetar trabalhadores com emprego, estudantes e famílias sem margem financeira.
A plataforma deverá agora avaliar novas ações, enquanto o debate sobre rendas, oferta pública e acesso à habitação continua a pressionar Governo e autarquias.
