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Portugal assume liderança do sul da Europa e promete frente comum para a segurança

Montenegro anuncia que Lisboa vai presidir ao MED9 em 2027, com defesa, energia e estabilidade regional no centro da agenda

Portugal vai assumir, em 2027, a presidência dos países do sul da União Europeia que integram o MED9. O anúncio foi feito por Luís Montenegro no final da cimeira realizada esta quarta-feira, 7 de outubro, em Split, na Croácia, num momento marcado pela tensão no Médio Oriente, pela pressão sobre a segurança europeia e pela necessidade de reforçar a cooperação entre os países mediterrânicos.

O primeiro-ministro apresentou a futura presidência portuguesa como uma oportunidade para colocar a segurança coletiva no topo da agenda. A expressão inclui não apenas a defesa militar, mas também a proteção das fronteiras, a segurança energética, a resiliência das infraestruturas e a resposta a ameaças que atravessam vários países.

Lisboa quer coordenar respostas numa Europa sob pressão

Segundo a informação divulgada pelo Governo, Montenegro defendeu na reunião um orçamento europeu ambicioso, o reforço da cooperação entre os Estados do sul e uma resposta comum aos desafios que afetam a União Europeia. A instabilidade no Médio Oriente foi igualmente apontada como uma das matérias que exigem maior coordenação política.

A presidência portuguesa deverá dar a Lisboa margem para definir prioridades e organizar encontros entre os governos dos nove países participantes. O grupo reúne Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia, Chipre, Malta, Eslovénia e Croácia, países com interesses comuns em matérias como migrações, energia, defesa marítima, transportes e relações com os países da margem sul do Mediterrâneo.

Uma plataforma com peso político

O MED9 não substitui as instituições da União Europeia, mas funciona como uma plataforma de concertação entre os países do sul. A liderança portuguesa surgirá num período em que os governos europeus enfrentam pressões simultâneas: guerra nas proximidades da União, competição económica global, subida das exigências na área da defesa e necessidade de reduzir dependências energéticas.

Para o Governo, a presidência permitirá reforçar a posição portuguesa nas discussões europeias e aproximar prioridades nacionais de uma agenda regional. A execução concreta dependerá, contudo, das negociações entre os nove Estados e da capacidade de transformar declarações políticas em compromissos comuns.

O anúncio foi feito em 7 de outubro de 2026, no encerramento da cimeira de Split. A presidência portuguesa está prevista para 2027, mas o calendário detalhado e as prioridades finais terão ainda de ser definidos pelos países participantes.

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