A Força Aérea Portuguesa prepara um reforço de peso no combate aos incêndios rurais. Depois de os helicópteros Black Hawk terem realizado este ano dezenas de missões em articulação com a Proteção Civil, o ramo militar prevê colocar aviões C-130 no dispositivo operacional de 2027.
Mais de 200 horas no ar
Os dados divulgados na segunda-feira, 19 de outubro, mostram a dimensão da operação: a Esquadra 551, conhecida como “Panteras”, participou em 56 missões de combate a incêndios ao longo de 2026. No total, os helicópteros voaram mais de 200 horas e efetuaram acima de 900 descargas.
A intervenção foi realizada com aeronaves UH-60 Black Hawk, integradas pela primeira vez no combate direto aos fogos no âmbito do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais. Segundo os responsáveis militares, estes meios podem operar em zonas de acesso particularmente difícil, complementando a resposta terrestre dos bombeiros e os restantes meios aéreos.
C-130 preparados para lançar água e retardante
O próximo salto passa pelos aviões C-130 da Força Aérea. O Governo adquiriu dois kits específicos para missões de combate a incêndios, num investimento de cerca de 16 milhões de euros. A expectativa apresentada pelo ministro da Defesa, Nuno Melo, e pelo Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, general Sérgio Pereira, é que os aparelhos estejam disponíveis em 2027.
Os equipamentos permitirão utilizar água ou calda retardante, aumentando a capacidade de intervenção em incêndios de maior dimensão. A entrada em funcionamento dependerá ainda da instalação dos kits, da preparação das equipas e da certificação necessária para este tipo de missão.
Mais meios pesados a caminho
O reforço não ficará limitado aos C-130. O Ministério da Defesa prevê também a chegada de dois aviões Canadair, com a entrega do primeiro apontada para 2029 e do segundo para 2030. A estratégia pretende criar uma capacidade nacional mais permanente e diversificada, combinando helicópteros, aviões de transporte adaptados e bombardeiros pesados.
Até 19 de outubro, o número de incêndios registados em Portugal tinha aumentado 5,4% face ao mesmo período de 2025. Ainda assim, a área ardida era 72,4% inferior, segundo os dados apresentados pelo secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha. A comparação mostra uma evolução favorável na área afetada, mas também mantém a pressão sobre o sistema de prevenção e resposta.
Fontes
- RTP/Lusa — Força Aérea esteve mais de 200 horas a combater fogos este ano e quer C-130 no terreno em 2027 (2026-10-19)
- Lusa — Força Aérea esteve mais de 200 horas a combater fogos este ano e quer C-130 no terreno em 2027 (2026-10-19)
- RTP — Governo vai adquirir dois kits de combate a fogos para aviões C-130 (2026-07-08)
