Mais de mil elementos da PSP e da GNR saíram esta quinta-feira, 29 de outubro, à rua em Lisboa para exigir melhores salários, carreiras revistas e condições de trabalho mais dignas. A manifestação arrancou no Largo de Camões e terminou junto à residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, num novo sinal de pressão sobre o Governo.
“Respeito” e “cumpram” foram as palavras de ordem
Organizado pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia e pela Associação dos Profissionais da Guarda, o protesto juntou polícias e guardas vestidos maioritariamente de negro. Entre apitos e palavras de ordem, os manifestantes levaram uma mensagem direta ao Executivo: querem que o acordo assinado em 2024 seja concretizado e que a valorização remuneratória avance sem mais adiamentos.
Segundo os representantes sindicais citados pela RTP e pela Lusa, as reivindicações incluem aumentos salariais já em 2027, a revisão das carreiras e a melhoria das condições de trabalho. A habitação entrou também no centro do protesto, sobretudo porque os profissionais em início de carreira enfrentam dificuldades crescentes para viver perto dos locais onde estão colocados.
Sindicatos acusam Governo de não apresentar propostas concretas
Paulo Santos, presidente da ASPP/PSP, afirmou à RTP que o acordo celebrado com o Executivo permanece por cumprir desde 2024 e que não existe, até ao momento, uma proposta formal que permita desbloquear a situação. César Nogueira, presidente da APG/GNR, classificou o atual processo negocial como uma “pseudonegociação”, alegando que ainda não foram apresentados resultados concretos.
Os guardas contestam em particular a falta de atualização do estatuto remuneratório da GNR, que, segundo a associação, não é alterado desde 2009. A estrutura sindical sustenta que a perda de poder de compra está a agravar a desmotivação e a tornar menos atrativas as profissões de segurança.
Direção da PSP diz que valorização é uma prioridade
Ouvido pela RTP, o diretor nacional da PSP, Pedro Moura, reconheceu que a valorização dos profissionais e a melhoria das condições de trabalho são preocupações prioritárias da direção da Polícia. A declaração não encerra, contudo, o conflito: os sindicatos avisam que poderão regressar às ruas se o Governo não apresentar propostas consideradas credíveis.
A manifestação surge num momento de forte tensão social em torno dos salários, da habitação e do custo de vida. Para já, não foi anunciado um novo calendário formal de negociações que permita antecipar um acordo entre o Governo e as estruturas representativas da PSP e da GNR.
