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Governo rejeita pressão do Chega e promete negociar Orçamento sem aliados fixos

António Leitão Amaro desvaloriza a moção de censura apresentada pelo Chega e garante que o Executivo não mudará a estratégia parlamentar por causa da iniciativa

Governo rejeita pressão do Chega e promete negociar Orçamento sem aliados fixos

António Leitão Amaro desvaloriza a moção de censura apresentada pelo Chega e garante que o Executivo não mudará a estratégia parlamentar por causa da iniciativa

O Governo não vê na moção de censura apresentada pelo Chega uma ameaça imediata à sua estratégia política. António Leitão Amaro classificou a iniciativa como uma operação destinada mais a produzir efeito político do que a provocar consequências concretas e garantiu que o Executivo continuará a negociar diploma a diploma, sem parceiros preferenciais.

A posição foi transmitida esta sexta-feira, 4 de setembro de 2026, pelo ministro da Presidência, durante a conferência de imprensa realizada após a reunião semanal do Conselho de Ministros. Questionado sobre a iniciativa do Chega, o governante procurou retirar-lhe peso institucional e assegurou que o Governo não permitirá que o debate parlamentar desvie a atenção das medidas que considera prioritárias.

“Esta é uma coreografia que não se destina a obter esclarecimentos e, pelo desfecho previsível, não parece uma coreografia que se destine a ter consequências”, afirmou António Leitão Amaro.

A moção foi formalmente registada na Assembleia da República a 2 de setembro. O título do documento acusa o Executivo de ser um “Governo sem autoridade política”, incapaz de assumir responsabilidades e de garantir confiança nas instituições. A iniciativa surge num momento de crescente tensão entre o Chega e o Governo PSD/CDS-PP.

Ministro da Administração Interna no centro da ofensiva

Uma das razões invocadas pelo Chega está relacionada com a permanência do ministro da Administração Interna no Executivo, num contexto marcado por notícias e críticas políticas envolvendo a tutela. Durante a conferência de imprensa, Leitão Amaro foi questionado sobre se todos os membros do Governo se sentem confortáveis com a situação.

A resposta foi cautelosa. O ministro afirmou que o assunto não foi discutido na reunião do Conselho de Ministros e remeteu para declarações anteriores do primeiro-ministro. Em concreto, recusou acrescentar novos elementos sobre a continuidade do titular da Administração Interna, sublinhando que o tema já tinha sido abordado pelo chefe do Governo.

“O primeiro-ministro já se pronunciou sobre isso muito recentemente e não há nada que eu, em particular no fim e no contexto de uma conferência de imprensa sobre o Conselho de Ministros, vá ou deva acrescentar”, declarou.

A opção revela uma tentativa de evitar que a moção se transforme num julgamento político interno ao Governo. Em vez de abrir uma nova frente de discussão sobre a composição do Executivo, o ministro insistiu na ideia de que a iniciativa do Chega não altera o funcionamento normal da maioria governamental nem a agenda legislativa.

Orçamento continua sem acordo preferencial

Questionado sobre eventuais efeitos da moção nas negociações de diplomas decisivos, nomeadamente o Orçamento do Estado, António Leitão Amaro respondeu que não prevê mudanças. O Executivo, disse, manterá a política de diálogo parlamentar sem escolher antecipadamente um partido como aliado permanente.

O Governo PSD/CDS-PP continuará, assim, a procurar entendimentos conforme o conteúdo de cada proposta. A estratégia exclui, pelo menos formalmente, a existência de um parceiro privilegiado para aprovar o Orçamento ou outras medidas estruturantes.

“Não temos parceiros preferenciais”, reiterou o ministro.

A declaração é politicamente relevante porque afasta, por agora, a hipótese de o confronto com o Chega conduzir automaticamente a uma aproximação mais intensa a outras forças parlamentares. Ao mesmo tempo, deixa em aberto negociações pontuais, dependendo da composição de cada votação e da capacidade do Governo para reunir apoios suficientes.

“O nosso foco é trabalhar”

Leitão Amaro procurou encerrar o assunto com uma mensagem de continuidade governativa. Segundo o ministro, o Executivo não pretende reagir diariamente às iniciativas da oposição e concentrará a sua ação na resolução dos problemas do país.

“Coreografias sem consequência, que não contribuem para soluções, que não contribuem para esclarecimentos, coreografias políticas que são apenas isso ficam com quem as propõe”, afirmou, numa crítica direta ao Chega.

O governante acrescentou que o Governo está “muito atento” ao cenário político, mas não pretende ficar condicionado por uma iniciativa cujo desfecho considera previsível. A moção terá agora de seguir os trâmites parlamentares próprios, sendo o seu impacto final dependente do debate e da votação em plenário.

Factos confirmados: a moção foi registada na Assembleia da República em 2 de setembro de 2026 e o Governo declarou, em conferência de imprensa de 4 de setembro, que não alterará a sua política de negociação parlamentar. A caracterização da iniciativa como uma operação “sem consequências” corresponde à avaliação política expressa por António Leitão Amaro, não a uma conclusão institucional sobre o resultado da votação.

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