A inflação voltou a ganhar força em Portugal. O Índice de Preços no Consumidor (IPC) registou uma variação homóloga de 3,3% em agosto, mais 0,3 pontos percentuais do que em julho, confirmou esta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, o Instituto Nacional de Estatística (INE).
O agravamento surge num momento de forte pressão sobre os orçamentos familiares e coloca os combustíveis no centro da subida dos preços. Segundo o INE, a aceleração da inflação foi quase totalmente explicada pelo aumento do preço do gasóleo, num mês em que os preços dos produtos energéticos registaram uma variação homóloga de 12,2%, contra 8,7% em julho.
Energia dispara, alimentação abranda
A evolução não foi igual em todas as componentes do cabaz. Os produtos alimentares não transformados registaram uma subida homóloga de 3,4%, abaixo dos 3,7% observados no mês anterior. Ainda assim, o valor continua a representar uma pressão relevante sobre as despesas com bens essenciais.
Na comparação mensal, o IPC aumentou 0,1% em agosto, depois de ter recuado 0,5% em julho. A variação média dos últimos 12 meses fixou-se em 2,7%, ligeiramente acima dos 2,6% registados no mês anterior.
Inflação subjacente também sobe
Mesmo retirando do cálculo os produtos alimentares não transformados e os produtos energéticos, a inflação não ficou parada. O indicador de inflação subjacente avançou para 2,7%, mais 0,1 pontos percentuais do que em julho.
O Índice Harmonizado de Preços no Consumidor, utilizado para comparar a evolução dos preços entre os países da União Europeia, registou uma variação homóloga de 3,6% em Portugal, acima dos 3,1% observados no mês anterior.
Os dados divulgados pelo INE confirmam a estimativa rápida apresentada no final de agosto. A subida dos combustíveis mantém-se, assim, como o principal fator de pressão sobre os preços, numa altura em que Governo e partidos discutem novas medidas para aliviar o impacto da energia nas famílias.
O efeito direto faz-se sentir no abastecimento dos automóveis, mas também pode propagar-se aos custos de transporte e distribuição de mercadorias. Isso significa que a pressão não termina na bomba: pode chegar novamente aos preços de bens e serviços nos próximos meses.
