A contestação dentro das forças de segurança vai ganhar dimensão nacional. A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) anunciou, na sexta-feira, 11 de setembro de 2026, um ciclo de protestos contra o que considera ser o incumprimento de compromissos assumidos pelo Governo em matéria de salários, carreiras e avaliação profissional.
A mobilização deverá decorrer entre o final de setembro e meados de outubro e culminar numa “grande ação de protesto nacional”. A associação garante que as iniciativas serão articuladas com a Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP), que já tinha anunciado um calendário próprio de manifestações e concentrações para as próximas semanas.
Suplemento de risco continua no centro da disputa
Em causa está, segundo a APG/GNR, o acordo de 2024 que previa um aumento de 300 euros no suplemento de risco. A estrutura sindical afirma que esse compromisso não foi acompanhado pela concretização da revisão salarial, da atualização das carreiras e da alteração do sistema de avaliação.
A reivindicação surge num momento de crescente tensão entre as associações profissionais e o Governo. A APG considera que os militares da Guarda continuam a aguardar respostas concretas para problemas que afetam a progressão profissional e a valorização das funções desempenhadas.
A associação acrescenta ainda uma exigência específica relativa às pensões. Defende a reposição do modelo de cálculo anterior, alegando que os cortes aplicados penalizaram os profissionais da GNR na passagem à reforma.
Negociações ainda não estão fechadas
Apesar do anúncio dos protestos, a APG/GNR afirma que não fecha a porta ao diálogo. A estrutura diz manter disponibilidade para negociar e espera que as reuniões com o Ministério da Administração Interna produzam resultados num prazo curto.
A associação acusa o ministro Luís Neves de não ter conseguido desbloquear as matérias junto do Ministério das Finanças e do primeiro-ministro, Luís Montenegro. Essa é uma posição da estrutura sindical e não equivale, por si só, a uma conclusão independente sobre responsabilidades políticas.
A dimensão final dos protestos, bem como as datas e locais exatos das ações nacionais, deverá ser divulgada pelas organizações sindicais nas próximas semanas. O calendário anunciado coloca a segurança interna entre os primeiros testes políticos do outono, num período marcado também por reivindicações salariais de outros setores.
