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Montenegro quer levar preço do petróleo à mesa da ONU e travar “volatilidade” dos mercados

Primeiro-ministro defende uma discussão internacional sobre a formação do preço do crude, num momento de forte pressão energética e incerteza geopolítica.

Luís Montenegro aproveitou o debate geral da Assembleia Geral das Nações Unidas para lançar uma proposta que pode mexer com uma das peças mais sensíveis da economia mundial: a forma como é definido o preço internacional do petróleo.

Na intervenção realizada em Nova Iorque na quinta-feira, 24 de setembro de 2026, o primeiro-ministro português defendeu que a comunidade internacional deve discutir se o valor do crude continua excessivamente dependente da especulação e da volatilidade dos mercados financeiros e de futuros.

Portugal quer discutir regras do mercado

A ideia apresentada por Montenegro não corresponde, para já, a uma medida aprovada nem a um novo mecanismo já em funcionamento. Trata-se de uma proposta política para abrir uma discussão internacional sobre os fatores que influenciam o preço do petróleo e sobre o impacto dessa formação de preços em famílias, empresas e serviços públicos.

Segundo o Governo, o chefe do executivo questionou a possibilidade de uma parcela limitada da produção ou uma crise localizada acabar por provocar efeitos muito mais amplos nos mercados globais. A preocupação surge num período em que o aumento dos combustíveis tem levado vários países a anunciar apoios extraordinários e em que Portugal reforçou medidas destinadas a transportadores e consumidores vulneráveis.

O primeiro-ministro associou ainda a crise energética ao conflito no Médio Oriente, à segurança das rotas marítimas e à necessidade de garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho. Qualquer perturbação prolongada nestes corredores pode atingir diretamente o abastecimento, os custos de transporte e os preços finais de bens e serviços.

Pressão sobre famílias e transportes

A intervenção internacional acontece no mesmo momento em que o Governo aprovou, em 24 de setembro, um mecanismo complementar para operadores de transporte público rodoviário de passageiros e empresas de transporte de mercadorias. A medida poderá compensar até 70% dos custos extraordinários com combustíveis suportados entre outubro e dezembro de 2026, de acordo com a informação divulgada pelo Conselho de Ministros.

Também foi prolongado até ao final do ano o apoio de 25 euros por botija de gás para famílias economicamente vulneráveis, com possibilidade de aquisição apoiada de até duas botijas por mês, dentro dos limites definidos pelo programa.

A proposta levada à ONU ainda terá de encontrar apoio de outros países para passar da declaração política à negociação concreta. Montenegro defendeu igualmente o reforço do multilateralismo, a promoção da paz e uma maior representatividade do Conselho de Segurança, incluindo lugares permanentes para África, Brasil e Índia.

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