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Alívio nas bombas chega esta semana, mas Governo avisa que crise energética ainda não acabou

Gasóleo e gasolina deverão ficar mais baratos nos próximos dias, enquanto o Executivo garante reservas nacionais para 92 dias e tenta travar o nervosismo no mercado.

Os portugueses deverão pagar menos pelos combustíveis ao longo desta semana, depois de vários dias de forte pressão sobre os preços e de protestos de empresas de transporte. A descida prevista surge num momento de elevada instabilidade internacional e promete algum alívio imediato nas carteiras, mas não elimina o risco de novas oscilações.

Gasóleo deverá liderar a descida

Segundo as previsões divulgadas pela RTP a 25 de setembro, o preço médio do gasóleo poderá recuar cerca de 5,5 cêntimos por litro, enquanto a gasolina deverá baixar aproximadamente um cêntimo. Os valores são estimativas e podem variar entre postos, dependendo da evolução das cotações internacionais, das margens comerciais e da atualização do imposto sobre os produtos petrolíferos.

As previsões foram conhecidas depois de uma semana marcada por protestos de empresários ligados às terraplanagens, transportes e movimentação de terras. O setor levou centenas de camiões para a estrada, argumentando que o custo do gasóleo está a pressionar fortemente os preços cobrados aos clientes e a ameaçar a viabilidade de várias empresas.

Governo garante reservas para 92 dias

A ministra do Ambiente e Energia assegurou, também a 25 de setembro, que Portugal dispõe de reservas de combustíveis para cerca de 92 dias. A garantia foi dada num contexto de dúvidas públicas sobre a capacidade de resposta do país perante a subida do preço do petróleo e as tensões geopolíticas que afetam o abastecimento energético.

O Governo explicou anteriormente que as reservas estratégicas portuguesas estão distribuídas por produto físico armazenado em território nacional, reservas mantidas em França e mecanismos contratuais conhecidos como “tickets”. O Executivo defendeu que esta estrutura permite assegurar o abastecimento em caso de perturbação grave dos mercados.

Alívio temporário não resolve pressão sobre empresas

A descida anunciada poderá reduzir a fatura semanal de famílias, agricultores e transportadores, mas o setor empresarial continua a pedir medidas de emergência. Para as empresas que dependem diariamente de gasóleo, pequenas alterações por litro representam diferenças significativas nos custos de operação e no preço final de mercadorias e serviços.

A própria previsão está sujeita a revisão. A RTP salientou que a cotação do barril de petróleo chegou aos 108 dólares na quinta-feira, 24 de setembro, deixando em aberto a possibilidade de uma descida inferior à inicialmente calculada. O mercado continua, por isso, dependente da evolução internacional e das decisões políticas sobre energia.

Para já, a indicação é de uma semana de menor pressão nas bombas. O aviso implícito do Governo, porém, é claro: Portugal tem reservas para resistir a uma perturbação prolongada, mas não está imune ao impacto de uma crise energética que continua longe de estar encerrada.

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