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Mariana Leitão acusa Montenegro de repetir a fórmula de António Costa e lança desafio interno

A líder da Iniciativa Liberal garante que vai disputar o próximo congresso do partido e critica o Governo por alegada falta de preparação perante as crises.

Mariana Leitão acusa Montenegro de repetir a fórmula de António Costa e lança desafio interno

A líder da Iniciativa Liberal garante que vai disputar o próximo congresso do partido e critica o Governo por alegada falta de preparação perante as crises.

Mariana Leitão voltou a carregar sobre Luís Montenegro e deixou uma acusação política de peso: o primeiro-ministro, que chegou ao poder prometendo romper com a governação socialista, estará, na avaliação da líder da Iniciativa Liberal, a seguir uma linha demasiado próxima da adotada por António Costa.

“Em termos de gestão do país, não está a fazer muito diferente”, afirmou a presidente da IL numa entrevista conjunta à TSF e ao Jornal de Notícias, citada pela notícia original. A crítica surge num momento em que o Governo enfrenta pressão em várias frentes e é acusado pela oposição de não concretizar parte das mudanças prometidas.

Mariana Leitão justificou a posição com aquilo que considera ser uma questão de coerência política. Segundo a dirigente liberal, Luís Montenegro passou largos anos a contestar as opções do Executivo liderado por António Costa, pelo que deveria agora demonstrar uma diferença clara na forma de governar.

“Se ele é eleito para fazer diferente de António Costa, a minha expectativa é que ele faça diferente de António Costa”, afirmou Mariana Leitão.

A líder da IL foi ainda mais longe e considerou que, quando essa rutura não acontece, o primeiro-ministro falha perante as expectativas criadas junto dos eleitores. Na sua leitura, essa diferença entre o discurso de oposição e a prática governativa já é visível, sobretudo nas promessas que, diz, continuam por cumprir.

“O Governo não tem soluções”

As críticas não ficaram limitadas à comparação com o anterior primeiro-ministro. Mariana Leitão acusou também o Executivo de não estar suficientemente preparado para responder a situações de crise, embora tenha reconhecido que o Governo não controla os acontecimentos internacionais.

A presidente da IL defendeu que a imprevisibilidade externa não pode servir de justificação para a falta de preparação interna. Para a dirigente, um Governo deve antecipar problemas, apresentar alternativas e ter capacidade de resposta quando surgem novas dificuldades.

“Não podemos estar impreparados para o que quer que seja”, terá sublinhado na entrevista. A conclusão política apresentada por Mariana Leitão foi contundente: na sua opinião, “o Governo não tem soluções” para responder a todos os problemas que afetam o país.

A declaração representa mais um sinal de afastamento entre a IL e o Executivo, apesar de ambos ocuparem espaços políticos próximos em várias matérias económicas. A relação entre os liberais e o Governo tem sido marcada por apoio pontual a determinadas medidas, mas também por críticas quando a IL entende que o PSD não avança com reformas suficientemente profundas.

Mariana Leitão confirma nova candidatura à liderança

A entrevista serviu igualmente para esclarecer o futuro político de Mariana Leitão dentro da Iniciativa Liberal. A dirigente, que assumiu a presidência do partido há cerca de um ano, confirmou que pretende voltar a apresentar-se aos militantes no próximo congresso.

A decisão surge num contexto de especulação sobre a possibilidade de antigos líderes regressarem à corrida interna. João Cotrim de Figueiredo e Rui Rocha foram mencionados como referências que continuam a ter peso na vida do partido, mas Mariana Leitão rejeitou a ideia de estar condicionada ou colocada à sombra de qualquer dos dois.

A presidente da IL afirmou que vê os antigos líderes como figuras importantes para o projeto liberal e garantiu que todos podem contribuir para o crescimento do partido. Ao mesmo tempo, deixou claro que não encara nenhuma eventual candidatura como motivo para abandonar a disputa.

“Não me sinto sombra de ninguém”, declarou Mariana Leitão, segundo o relato divulgado.

Questionada sobre uma eventual candidatura de Cotrim de Figueiredo, respondeu que nunca abandonaria a liderança por esse motivo. A frase “ele que venha contra mim”, apresentada em tom descontraído, resume a posição da dirigente: pretende manter-se na corrida e defender o trabalho realizado pela atual direção.

Apelo aos jovens

Mariana Leitão aproveitou ainda a entrevista para desafiar os jovens a adotarem uma postura mais exigente perante os políticos. A líder liberal defendeu que as novas gerações devem reivindicar melhores condições no país, em vez de aceitarem como inevitável a saída para o estrangeiro.

O apelo insere-se numa das principais linhas de intervenção da IL: pressionar os partidos tradicionais a apresentarem respostas para a habitação, o emprego, os salários e a qualidade dos serviços públicos. A dirigente sustenta que a mudança política também depende da participação de quem se sente afastado das decisões.

As declarações de Mariana Leitão constituem, para já, a posição da líder da IL e não uma avaliação independente sobre o desempenho do Governo. A confirmação integral da entrevista original e dos seus vários excertos deverá ser consultada antes de uma publicação definitiva.

Fontes

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Autor

Calapez, Alexandre

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