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PRR fecha metas, mas deixa obras penduradas: Governo reserva 200 milhões para evitar derrapagens

O Executivo garante que Portugal cumpriu os 379 marcos e metas do plano europeu, mas admite que há projetos contratados ainda por concluir. A nova almofada financeira deverá prolongar trabalhos até ao final de 2027.

O Governo anunciou uma solução de emergência para as obras do Plano de Recuperação e Resiliência que chegaram ao fim do calendário europeu sem estarem totalmente concluídas: até 200 milhões de euros do Orçamento do Estado poderão ser usados para garantir que os projetos não ficam a meio.

A decisão foi aprovada pelo Conselho de Ministros reunido na Guarda, a 1 de outubro de 2026, depois de o Executivo ter declarado cumpridos os 379 marcos e metas previstos no PRR. A medida pretende separar duas realidades que, no discurso político, têm sido apresentadas lado a lado: Portugal cumpriu os objetivos formais do plano, mas ainda existem empreitadas em execução.

Obras continuam para lá do prazo europeu

Segundo o Governo, o financiamento complementar será direcionado prioritariamente para projetos já aprovados e em andamento nas áreas da habitação, saúde, respostas sociais, alojamento estudantil, infraestruturas e inovação empresarial. As obras contratadas deverão ficar concluídas até 31 de dezembro de 2027.

O Executivo diz que os contratos poderão ser ajustados ao novo prazo, permitindo aos beneficiários conservar os fundos já recebidos e o financiamento contratado, desde que cumpram as condições definidas. A solução procura evitar que atrasos administrativos, constrangimentos nas empreitadas ou aumento dos custos de construção provoquem o abandono de investimentos considerados estratégicos.

“Execução a 100%” com uma ressalva importante

A declaração política de execução integral refere-se aos marcos e metas avaliados no âmbito do PRR, e não significa que todas as obras físicas estejam terminadas. Foi o próprio Governo a reconhecer essa diferença ao anunciar a verba adicional para os projetos ainda no terreno.

O primeiro-ministro Luís Montenegro classificou a execução como “absolutamente louvável”, enquanto o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, explicou que a nova linha funcionará como financiamento complementar quando o dinheiro europeu disponível não for suficiente.

O Governo aprovou ainda instrumentos de monitorização, avaliação e auditoria dos investimentos realizados, com funcionamento previsto até 31 de dezembro de 2028. A intenção é acompanhar os projetos depois do encerramento formal do plano e verificar se os resultados anunciados chegam efetivamente ao território.

A decisão surge poucos dias depois de Portugal ter submetido à Comissão Europeia o décimo e último pedido de pagamento do PRR, no valor de 4.672 milhões de euros. A validação desse pedido permitirá completar a dotação global atribuída ao país, estimada em 21.905 milhões de euros.

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