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Inteligência artificial entra nas escolas portuguesas e obriga professores a mudar de jogo

A tecnologia vai passar a ser trabalhada de forma transversal no próximo ano letivo, com formação para docentes e novas orientações para as escolas.

A inteligência artificial vai deixar de ser apenas uma ferramenta usada por alguns alunos e professores e passará a entrar de forma transversal nos currículos das escolas portuguesas a partir do próximo ano letivo. A mudança foi apresentada pela RTP no domingo, 11 de outubro de 2026, num momento em que o Governo prepara novas orientações para a utilização da tecnologia no sistema educativo.

A entrada da IA nas salas de aula não significa, pelo menos para já, a substituição dos professores por máquinas. O plano passa por formar docentes e apoiar as escolas na utilização de ferramentas digitais, numa tentativa de transformar uma realidade que já existe: muitos alunos recorrem a sistemas generativos para pesquisar, escrever textos, resolver exercícios ou preparar trabalhos.

Do entusiasmo ao medo de respostas falsas

O desafio está em impedir que a rapidez da tecnologia seja confundida com conhecimento. Sistemas de inteligência artificial podem produzir respostas convincentes, mas erradas, incompletas ou sem fontes verificáveis. A escola terá, por isso, de ensinar os alunos a confirmar informação, distinguir opinião de facto e perceber quando uma resposta automática não é suficientemente segura.

O diagnóstico nacional sobre inteligência artificial no ensino superior, divulgado pela Direção-Geral do Ensino Superior em abril de 2026, mostra que a adoção já avançou mais depressa do que a criação de regras internas. Apenas 14,7% das instituições inquiridas disseram ter políticas de IA já em vigor, enquanto 42,6% afirmaram estar a preparar essas regras e outros 42,6% não tinham ainda um enquadramento formal.

Portugal quer acelerar literacia digital

A aposta está enquadrada na Agenda Nacional de Inteligência Artificial, aprovada pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 2/2026. O documento coloca a literacia em IA entre as prioridades nacionais e prevê iniciativas dirigidas às competências, à inclusão digital e à ligação entre escolas, universidades, empresas e Administração Pública.

Também a Semana Europeia da Programação, lançada a 12 de outubro de 2026, coloca a literacia em inteligência artificial no centro das atividades promovidas por escolas e comunidades. A iniciativa decorre até 25 de outubro e pretende reforçar competências de programação, pensamento computacional e utilização responsável das tecnologias.

A mudança abre uma frente delicada para as escolas: ensinar a usar a IA sem permitir que ela substitua o esforço, a autoria ou o pensamento crítico. A formação dos professores e a definição de regras claras serão decisivas para evitar que cada estabelecimento avance sozinho — ou que os alunos fiquem entregues a ferramentas que nem sempre dizem a verdade.

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