O Estado português concluiu a compra de 13,7% da REN, regressando formalmente ao capital da empresa responsável pelas redes nacionais de eletricidade e gás. A operação foi concretizada através da Parpública, que adquiriu 91.723.676 ações à Pontegadea Inversiones, holding do empresário espanhol Amancio Ortega.
A conclusão do negócio foi assinalada pela própria REN num comunicado dirigido ao mercado em 7 de setembro de 2026. A participação torna a Parpública no segundo maior acionista da empresa, atrás da chinesa State Grid, que mantém 25% do capital. O Estado tinha saído totalmente da estrutura acionista da REN em 2014, durante o processo de privatização.
Operação de centenas de milhões
O valor divulgado nos últimos dias ronda os 380 milhões de euros, embora a comunicação oficial da REN sobre a alteração acionista não detalhe, no documento consultado, a decomposição financeira do preço. A compra esteve dependente de fiscalização prévia do Tribunal de Contas, uma etapa que ficou ultrapassada antes da transferência definitiva das ações.
A operação tem sido justificada pelo Governo com razões de segurança energética e proteção de uma infraestrutura crítica. A REN gere redes essenciais ao transporte de eletricidade e gás natural, num momento em que Portugal enfrenta maior pressão sobre os mercados energéticos, transição para fontes renováveis e necessidade de reforçar a capacidade de interligação.
Mais influência, mas sem controlo
Apesar do peso adquirido, a participação não dá ao Estado o controlo da empresa. A posição permite-lhe, contudo, ganhar capacidade de intervenção na composição dos órgãos sociais e nas discussões estratégicas da REN, por ultrapassar os 10% do capital. As regras da empresa e do setor limitam, ainda assim, o peso dos acionistas e impedem que uma participação isolada se traduza automaticamente em domínio sobre os direitos de voto.
O regresso ao capital da REN ocorre numa altura em que o Governo também prolongou apoios para amortecer o impacto da subida dos combustíveis. A coincidência entre as duas decisões coloca a energia no centro da estratégia económica do executivo: por um lado, aliviar a fatura imediata de famílias e empresas; por outro, reforçar a presença pública numa empresa considerada decisiva para a segurança do abastecimento.
A transferência encerra a saída da Pontegadea, que deixa de figurar como acionista qualificada da REN. A empresa continuará cotada em bolsa e sujeita à supervisão do mercado, mantendo-se a State Grid como maior acionista individual.
