A economia portuguesa continuou a crescer no terceiro trimestre de 2026, mas perdeu força no arranque do segundo semestre. O Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 2,4% face ao mesmo período do ano passado, enquanto a comparação com o trimestre anterior revela uma subida muito mais modesta, de apenas 0,2%.
Os números foram divulgados esta sexta-feira, 30 de outubro, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), numa estimativa que coloca Portugal acima do ritmo registado na zona euro no mesmo período. Ainda assim, a evolução trimestral mostra uma economia a avançar com menor velocidade, num momento em que as famílias continuam a enfrentar preços elevados e o investimento permanece sob pressão.
Crescimento anual esconde abrandamento
A variação homóloga de 2,4% significa que a produção económica ficou acima da registada entre julho e setembro de 2025. No entanto, o aumento de apenas 0,2% em cadeia traduz uma desaceleração significativa face ao ritmo observado nos trimestres anteriores e limita a margem para leituras triunfalistas.
O resultado surge no mesmo dia em que o INE confirmou uma aceleração da inflação em outubro, com a taxa homóloga dos preços no consumidor a atingir 3,8%, de acordo com os dados preliminares divulgados pela agência Lusa. A combinação entre crescimento mais lento e preços ainda pressionados pode aumentar a cautela das famílias e das empresas nas decisões de consumo e investimento.
Emprego resiste, mas pressão mantém-se
Os dados conhecidos esta semana indicam que a taxa de desemprego se situou em 5,6% em setembro. O mercado de trabalho continua, assim, a funcionar como um dos principais pontos de resistência da economia, embora a evolução do emprego não elimine os efeitos da subida do custo de vida.
Para o Governo, o crescimento confirma a resiliência da economia portuguesa. Para os analistas, a leitura exige mais prudência: o avanço anual é positivo, mas o valor trimestral mostra que o país entrou no verão praticamente em velocidade de cruzeiro, sem aceleração relevante.
A próxima fotografia da economia será decisiva para perceber se este abrandamento é temporário ou se representa o início de uma fase mais fraca. Até lá, Portugal mantém crescimento, mas com uma inflação que volta a apertar o orçamento das famílias.
