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Testemunha de tiroteio em Carcavelos é baleada e perde o pai numa alegada vingança

A Polícia Judiciária deteve três homens, entre os 18 e os 21 anos, por suspeitas de homicídio tentado e consumado ligados a um ataque ocorrido numa esplanada em junho de 2025.

Testemunha de tiroteio em Carcavelos é baleada e perde o pai numa alegada vingança

A Polícia Judiciária deteve três homens, entre os 18 e os 21 anos, por suspeitas de homicídio tentado e consumado ligados a um ataque ocorrido numa esplanada em junho de 2025.

Uma testemunha que ajudou a investigação de um tiroteio na praia de Carcavelos foi baleada na Amadora e, semanas depois, o pai acabou morto com três disparos. A Polícia Judiciária deteve três homens, com idades entre os 18 e os 21 anos, por suspeitas de envolvimento nos três episódios, que as autoridades consideram relacionados.

Os ataques terão sido motivados por retaliação contra o depoimento prestado no processo que nasceu de um tiroteio ocorrido em 29 de junho de 2025. Na altura, durante desacatos numa esplanada junto à praia de Carcavelos, um dos suspeitos terá sacado de uma arma e disparado várias vezes. Duas pessoas ficaram feridas.

O atirador foi detido no início de julho de 2025 e ficou em prisão preventiva enquanto aguardava julgamento. Em julho de 2026, foi condenado a três anos e seis meses de prisão pelos crimes de homicídio qualificado na forma tentada e detenção de arma proibida. A pena ficou suspensa na sua execução, permitindo-lhe permanecer em liberdade.

Primeiro ataque aconteceu em abril

Segundo os elementos divulgados pela investigação, a violência regressou à Amadora a 4 de abril de 2026. Uma testemunha do tiroteio de Carcavelos foi atingida por um disparo na região abdominal. A vítima teve de receber tratamento hospitalar, mas sobreviveu.

A Polícia Judiciária aponta a retaliação pelo depoimento como a motivação direta desse ataque. O suspeito foi detido a 1 de setembro, depois de vários meses de diligências, e ficou sujeito a prisão preventiva após ser presente a primeiro interrogatório judicial.

As autoridades não divulgaram a identidade das vítimas nem dos arguidos. Também não foram revelados pormenores sobre a arma utilizada, o local exato do ataque ou a forma como os investigadores estabeleceram a ligação entre os vários suspeitos.

Pai da testemunha morreu no hospital

A cadeia de violência teve um segundo capítulo fatal a 21 de maio. O pai da testemunha, um homem de 43 anos, foi atingido por três tiros na Amadora. Apesar de ter sido transportado para uma unidade hospitalar, acabou por morrer devido à gravidade dos ferimentos.

O suspeito deste homicídio foi detido a 25 de agosto e ficou igualmente em prisão preventiva. A investigação considera que o crime está ligado ao ataque de abril e, indiretamente, ao tiroteio ocorrido na praia de Carcavelos no verão do ano anterior.

Em comunicado, a Polícia Judiciária referiu que os três homens estão fortemente indiciados pela prática de crimes de homicídio tentado e consumado, todos com recurso a armas de fogo. As detenções foram realizadas pela Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo.

Os suspeitos estão sujeitos a prisão preventiva, mas beneficiam da presunção de inocência até decisão judicial definitiva.

Três episódios, uma investigação

O caso envolve, assim, três momentos distintos: o tiroteio numa esplanada de Carcavelos, em junho de 2025; o ataque à testemunha, em abril de 2026; e o homicídio do pai dessa testemunha, em maio.

A ligação entre os crimes resulta, nesta fase, da investigação policial e da informação divulgada pelas autoridades. A alegada motivação de vingança terá de ser apreciada no âmbito dos processos judiciais, tal como a responsabilidade individual de cada detido.

Os inquéritos são dirigidos pelo Ministério Público através dos Departamentos de Investigação e Ação Penal de Cascais e da Amadora. A investigação permanece em curso e poderá esclarecer se houve outros envolvidos, qual foi o grau de participação de cada suspeito e se os ataques foram planeados como retaliação pelo testemunho prestado no processo inicial.

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